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Afroturismo: quando viajar também é conhecer a história, pertencimentos e preservar memória.

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Afroturismo: quando viajar também é conhecer a história, pertencimentos e preservar memória.

O Brasil que conhecemos também foi construído por mãos, saberes, culturas e resistências negras. Conhecer essa história pelos lugares onde ela permanece viva transforma a maneira como viajamos — e também a maneira como enxergamos o país. 

Quando pensamos em viajar pelo Brasil, quais imagens aparecem primeiro? Praias? Gastronomia? Paisagens? Monumentos? Centros históricos?

Tudo isso faz parte de uma viagem. Mas existe outro Brasil esperando para ser conhecido. Um Brasil contado por meio da memória de pessoas negras que construíram cidades, criaram manifestações culturais, preservaram saberes ancestrais, produziram arte, organizaram comunidades e transformaram profundamente a identidade brasileira. Durante muito tempo, parte dessa história foi apresentada a partir de um único ponto de vista — e, muitas vezes, reduzida à escravização.

Mas a história negra brasileira não começa na escravidão e não termina na abolição.

Ela também é ancestralidade. É conhecimento. É arte. É religiosidade. É território. É música. É resistência. É inovação. É comunidade. É pertencimento.

E quando viajamos para conhecer esses lugares, começamos a compreender uma dimensão muito importante do afroturismo.


Afroturismo também é conhecimento

Afroturismo não significa simplesmente colocar uma atração relacionada à população negra dentro de um roteiro convencional. É uma maneira de viajar que reconhece o protagonismo das populações negras na construção dos territórios e procura conhecer suas histórias a partir de suas próprias referências, memórias e narrativas. Por isso, museus, memoriais, quilombos, terreiros, centros culturais, mercados, monumentos, manifestações populares e territórios negros podem ser muito mais do que pontos turísticos.

São lugares de conhecimento. E alguns museus brasileiros ajudam a revelar justamente esse Brasil.


Oito lugares para conhecer diferentes histórias do Brasil negro

Em Salvador, o Museu Nacional da Cultura Afro-Brasileira (MUNCAB) aproxima o visitante das matrizes africanas e aborda temas como resistência negra, quilombos, religiosidade, festas e culturas populares. Na mesma cidade, o Memorial 2 de Julho apresenta a Independência do Brasil na Bahia destacando o protagonismo da população negra naquele processo histórico.

Em São Luís, a Casa do Tambor de Crioula preserva uma manifestação afro-brasileira profundamente ligada à identidade maranhense: dança, canto e percussão se encontram em uma tradição reconhecida como Patrimônio Cultural do Brasil.

No Norte, em Macapá, o Museu de Artes, Culturas e Memórias Negras coloca em evidência a identidade afro-amazônica e desenvolve, além de exposições, atividades educativas, oficinas, visitas mediadas e ações culturais.

Belo Horizonte apresenta outra perspectiva. O Museu dos Quilombos e Favelas Urbanos — Muquifu reúne objetos, fotografias e memórias da vida cultural das comunidades e propõe compreender as favelas também como quilombos urbanos.

No Rio de Janeiro, o Instituto Pretos Novos conduz o visitante a uma parte dolorosa e indispensável da história brasileira. O instituto pesquisa e preserva o patrimônio africano e afro-brasileiro relacionado ao antigo Cemitério dos Pretos Novos, onde permanecem vestígios arqueológicos e históricos de africanos escravizados.

Em São Paulo, o Museu Afro Brasil Emanoel Araujo reúne mais de oito mil obras relacionadas às histórias, artes, religiosidades e culturas africanas e afro-brasileiras. O espaço também abriga o Teatro Ruth de Souza e a Biblioteca Carolina Maria de Jesus.

E chegamos ao nosso Rio Grande do Sul.

Em Porto Alegre, o Museu da Cultura Hip Hop RS preserva a história do Hip Hop gaúcho por meio de exposições, atividades educativas e eventos culturais. Trata-se do primeiro museu dedicado ao Hip Hop da América Latina.

São oito espaços. Mas não são apenas oito endereços. São oito portas de entrada para histórias que ajudam a compreender o Brasil.


E onde entra o pertencimento?

Talvez aqui esteja uma das dimensões mais bonitas do afroturismo. Para uma pessoa negra, visitar um espaço de memória negra pode produzir algo que vai muito além de adquirir conhecimento. Pode existir reconhecimento. A possibilidade de olhar para uma exposição e encontrar pessoas parecidas consigo ocupando não apenas o lugar da dor, mas também os lugares da criação, intelectualidade, liderança, resistência, espiritualidade, arte e transformação.

É perceber: “A minha história também está aqui.” E pertencimento não interessa somente às pessoas negras. Conhecer a história negra brasileira é conhecer a história do Brasil.

O afroturismo pode oferecer à pessoa negra reconhecimento e reconexão. E pode oferecer ao viajante não negro a oportunidade de ampliar referências, questionar narrativas incompletas e compreender o território que está visitando por outras perspectivas. É justamente por isso que conhecimento e turismo podem caminhar juntos.


Um museu pode mudar a maneira como você conhece uma cidade

Imagine visitar Salvador sem conhecer a contribuição africana para sua formação. Conhecer o Rio de Janeiro sem compreender os territórios por onde passaram milhares de africanos. Visitar São Luís sem entrar em contato com manifestações culturais de matriz africana. Conhecer São Paulo sem reservar espaço para a história da população negra que ajudou a construir a maior metrópole brasileira. Ou viver Porto Alegre sem descobrir que existe uma história negra pulsando na cidade — inclusive por meio do Hip Hop. A viagem continua sendo lazer. Continua tendo gastronomia, hotel, paisagem, descanso e diversão. Mas ganha camadas. E talvez seja justamente isso que diferencie conhecer um lugar de verdade de simplesmente passar por ele.


Afroturismo também movimenta a economia negra

Há ainda outra dimensão que considero fundamental para a BUX. Quando estruturado com responsabilidade, o afroturismo não deve apenas contar histórias negras. Ele também pode gerar oportunidades para pessoas negras no presente. Guias locais. Empreendedores. Restaurantes. Artesãos. Produtores culturais.

Condutores. Comunidades. Pesquisadores. Artistas. Negócios ligados à economia criativa. Por isso, ao pensar uma experiência de afroturismo, precisamos perguntar não somente: “Qual lugar negro vamos visitar?” Mas também: “Quem está contando essa história e quem participa economicamente dessa viagem?”

Essa mudança de perspectiva é enorme. Porque transforma o turismo em uma ferramenta não apenas de memória, mas também de desenvolvimento.


A BUX acredita em viagens que também deixam conhecimento

Para nós, afroturismo não precisa existir isolado do restante da viagem. Uma pessoa pode querer praia e história. Gastronomia e ancestralidade. Natureza e cultura.

Descanso e conhecimento. Luxo e pertencimento. Uma coisa não anula a outra. O nosso trabalho é compreender o que aquela pessoa deseja viver e construir uma experiência em que os elementos façam sentido juntos. Porque talvez você volte de uma viagem com centenas de fotografias. Mas algumas experiências fazem algo diferente: elas mudam aquilo que você sabe sobre o lugar — e, às vezes, aquilo que você sabe sobre si mesmo.

É esse Brasil que também queremos ajudar nossos viajantes a descobrir.

Um Brasil negro. Plural. Criativo. Ancestral. Contemporâneo. E vivo.


Viajar também pode ser um ato de conhecimento.

Conhecer nossa história é uma forma de preservá-la. Reconhecer quem a construiu é uma forma de pertencimento. E escolher quem participa da economia gerada pela nossa viagem também é uma forma de transformação.

Qual história você quer conhecer na sua próxima viagem?


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VOCÊ NÃO NASCEU APENAS PARA CONHECER LUGARES.

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Fonte de inspiração: reportagem “8 museus para conhecer a história negra que construiu o Brasil”, de Beatriz de Oliveira, publicada pelo Nós, Mulheres da Periferia em fevereiro de 2026.

Leia a reportagem que inspirou este artigo


PUBLICADA EM: 14/09/2026 16:38:14 | VOLTAR PARA: Artigos | OUTRAS PUBLICAÇÕES
Fonte: Rosane Brasil


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