Canoas / RS
atendimento@buxtravel.com.br (51) 9 9808-5258

Blog

O mapa mudou. E a forma como enxergamos o mundo também precisa mudar.

0 Curtidas. 34 Visualizações

O mapa mudou. E a forma como enxergamos o mundo também precisa mudar.

Durante séculos, aprendemos a olhar o planeta por meio de um mapa que parecia apenas representar a geografia. Mas mapas também constroem imaginários. E isso tem uma relação muito maior com o turismo do que pode parecer. 

Em setembro de 2026, a Assembleia Geral da ONU aprovou uma resolução que incentiva o uso da projeção cartográfica Equal Earth, capaz de representar de maneira mais fiel as áreas relativas dos continentes e países. A iniciativa “Correct the Map” foi liderada pelo Togo e pela União Africana e recebeu 164 votos favoráveis, seis abstenções e um voto contrário. A resolução não proíbe a projeção de Mercator nem obriga sua substituição; ela recomenda que governos, instituições de ensino, organizações internacionais e empresas de tecnologia adotem projeções de área equivalente quando o tamanho relativo dos territórios for relevante. Nações Unidas

E aqui começa uma conversa que interessa diretamente ao turismo.


Durante séculos, aprendemos um mundo distorcido

A projeção de Mercator foi desenvolvida pelo cartógrafo Gerardus Mercator em 1569. Para a navegação, ela foi extremamente útil porque preserva direções. O problema aparece quando a utilizamos para comparar visualmente o tamanho dos territórios.

À medida que nos afastamos da Linha do Equador, as áreas ficam progressivamente ampliadas. Por isso, regiões como Europa, América do Norte e Groenlândia parecem proporcionalmente maiores, enquanto áreas próximas ao Equador, entre elas África e América do Sul, ficam visualmente reduzidas. CNN Brasil

Um exemplo impressionante ajuda a compreender a dimensão dessa distorção: no mapa de Mercator, a Groenlândia pode parecer comparável à África. Na realidade, o continente africano é aproximadamente 14 vezes maior. O Brasil também ganha outra dimensão quando representado em uma projeção de área equivalente: ele é cerca de 3,9 vezes maior que a Groenlândia, embora o mapa tradicional possa produzir uma percepção muito diferente. CNN Brasil

Mas o que um mapa tem a ver com turismo?

Muito.

Antes de conhecermos um destino, nós construímos uma imagem mental sobre ele.

Essa imagem começa na escola, passa pelos livros, pelos mapas, pelo cinema, pelas notícias, pelas redes sociais e chega até aquilo que entendemos como um lugar que “vale a pena conhecer”.

O turismo trabalha justamente nesse território: o imaginário.

Durante décadas, determinados países foram apresentados como centros naturais do mundo. Outros ficaram nas margens — literalmente e simbolicamente.

A própria resolução da ONU registra preocupação com o fato de as distorções cartográficas contribuírem para minimizar a percepção da dimensão da África, América Latina e Sul da Ásia, afetando também a forma como são percebidos seu potencial de desenvolvimento, infraestrutura e prosperidade. CNN Brasil

Por isso, essa discussão ultrapassa a cartografia.

Ela nos convida a perguntar:

Que destinos aprendemos a desejar? E quais quase nunca aprendemos a enxergar?

Para o turismo, tamanho também comunica diversidade

Quando a África aparece em sua dimensão proporcional, começamos a compreender visualmente algo que os números já demonstravam: estamos falando de um continente gigantesco.

E um território dessa dimensão não pode ser tratado turisticamente como se fosse uma experiência única.

África do Sul, Senegal, Gana, Marrocos, Tanzânia, Quênia, Cabo Verde, Egito, Moçambique ou Ruanda não são variações de um mesmo destino. São países com histórias, culturas, gastronomias, paisagens, idiomas e experiências distintas.

A representação cartográfica mais proporcional não cria essa diversidade — ela ajuda a tornar visível a escala geográfica na qual essa diversidade existe.

Essa distinção é importante. Um novo mapa, sozinho, não mudará os fluxos turísticos nem eliminará estereótipos. Mas mapas fazem parte do conjunto de referências que ajudam as pessoas a construir sua percepção do planeta.

Como afirmou a própria ONU ao explicar a resolução, mapas orientam a educação e influenciam percepções coletivas. Nações Unidas

E não é somente a África. O Brasil também “cresceu”

Há uma provocação especialmente interessante para nós brasileiros.

No Equal Earth, o Brasil parece consideravelmente maior do que naquele mapa-múndi que aprendemos a reconhecer desde crianças. Ele não cresceu, evidentemente. O que mudou foi a representação. CNN Brasil

E isso também permite uma reflexão sobre o turismo dentro do próprio país.

Somos um território continental. Amazônia, Pantanal, Cerrado, Caatinga, Mata Atlântica e Pampa coexistem dentro das nossas fronteiras. Temos centenas de povos indígenas, comunidades quilombolas, diferentes processos migratórios e uma enorme diversidade cultural.

Talvez enxergar corretamente o tamanho do Brasil também ajude a lembrar o quanto ainda temos para conhecer dentro dele.

TENHO CERTEZA QUE NINGUÉM TE CONTOU que até a maneira como um mapa é desenhado pode interferir na percepção que construímos sobre um destino.

Afroturismo: quando viajar também significa reposicionar o olhar

Para o afroturismo, essa discussão ganha outra camada.

A campanha que levou a questão à ONU nasceu de uma mobilização africana. A União Africana afirma que a mudança busca uma representação baseada em realidades objetivas e cientificamente estabelecidas e defende que instituições internacionais, sistemas educacionais, editoras e plataformas digitais avancem para representações mais proporcionais. African Union

Isso dialoga diretamente com uma proposta essencial do afroturismo: permitir que territórios e populações historicamente narrados por outros também possam ser vistos a partir de suas próprias histórias.

Viajar para a África, por exemplo, não deveria significar apenas visitar paisagens.

Pode significar compreender impérios e civilizações africanas, conhecer produção artística contemporânea, experimentar gastronomias locais, entrar em contato com patrimônios históricos e perceber conexões entre África e diáspora que dificilmente aparecem em uma viagem construída apenas a partir dos estereótipos tradicionais.

O mapa, nesse contexto, torna-se uma excelente porta de entrada para uma pergunta maior:

quanto do mundo ainda estamos conhecendo a partir do olhar de quem o representou para nós?

O turismo também pode ajudar a redesenhar nosso mapa mental

IMAGINA abrir um mapa e, pela primeira vez, perceber que aquele continente que parecia relativamente pequeno ocupa uma parcela imensa do planeta.

Agora imagina transformar essa descoberta em curiosidade.

Curiosidade vira pesquisa.
Pesquisa pode virar desejo.
Desejo pode virar viagem.
E uma viagem bem construída pode transformar percepção em conhecimento.

É aí que essa mudança cartográfica encontra o turismo.

Não se trata de abandonar destinos tradicionais ou estabelecer que um território seja mais importante que outro. Trata-se de ampliar repertórios.

Há muito mais mundo para conhecer quando deixamos de enxergá-lo apenas pelas referências que recebemos prontas.

Talvez seja essa a principal contribuição da discussão iniciada pela África e agora reconhecida pela ONU: não apenas mudar o mapa diante dos nossos olhos, mas nos fazer questionar o mapa que carregamos dentro da cabeça.

Na BUX Travel, acreditamos que viajar também é uma forma de conhecimento. Porque você não nasceu apenas para conhecer lugares.

Nasceu para viver novas histórias.

Leia a reportagem da CNN Brasil sobre o novo mapa-múndi

Entenda a resolução “Correct the Map” na ONU


PUBLICADA EM: 28/09/2026 14:34:31 | VOLTAR PARA: Artigos | OUTRAS PUBLICAÇÕES
Fonte: IA, ROSANE BRASIL


Nossa empresa

Logomarca do rodapé

Bux Travel Brasil Ltda
CNPJ: 26.183.176./0001-10

CADASTUR: 26183176000110

Endereço e contatos

ATENDIMENTO HUMANIZADO E PERSONALIZADO 
- Canoas / RS
CEP: 92440-630

(51) 9 9808-5258
(51) 9 9808-5258

Fale WhatsApp

Usamos somente cookies de terceiros.
Nosso site usa cookies de parceiros (Google etc.) para análise, funcionalidades e anúncios.
Você pode aceitar todos ou gerenciar suas preferências.